Sob a ótica da economia

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Economista Célio Fernando crê que oscilação do dólar afeta setores da economia mais que o valor da moeda e critica marcos regulatórios

ECONOMISTA, Melo tem mestrados em Administração Financeira e Negócios Internacionais .JULIO CAESAR

Novas lentes. É o que defende o economista Célio Fernando Bezerra Melo, convidado do último programa do Mercado Imobiliário da Rádio O POVO/CBN, do qual participou também o advogado Rômulo Alexandre Soares. Para Melo, é preciso olhar as oportunidades disponíveis no Ceará a serem exploradas e ver com bons olhos a economia do conhecimento e as pesquisas na inovação. Em sua visão sobre o mercado de imóveis, Melo analisa como a volatilidade da moeda norte-americana atrapalha a noção de compra dos insumos e cria insegurança em relação ao preço praticado na venda.

O economista traz ainda opiniões sobre o rumo das empresas brasileiras após eleições e traça comentários acerca do déficit habitacional e dos fundos imobiliários.

OP – Como o senhor analisa o atual cenário de nervosismo do câmbio motivado pelos ajustes internos promovidos pelos EUA?

Célio Fernando Bezerra Melo – Acho que essa questão do câmbio se mostra preocupante principalmente quando você vê o Banco Central praticando os contratos de swap de uma forma para tentar conter essa alta do dólar. Isso, de alguma maneira, nesse momento, tenta frear a volatilidade, essa variação muito grande do dólar, mas preocupa, não é? Preocupa porque o Brasil, de certa forma, não tem feito o seu dever de casa. Acho que foi colocado muito bem pelo advogado Rômulo [Alexandre Soares] essas questões da segurança jurídica, a importância disso. Nós vivemos nos investimentos sobre a base da confiança. Na verdade, a economia como um todo. Quando você fala da moeda, você fala da fidúcia, que é exatamente a confiança. O papel não vale nada, é uma impressão, mas as pessoas creem naquilo, acreditam naquilo. E, num momento em que você começa a ter essa crença, você começa a ter as trocas e assim funciona a nossa famosa economia de mercado. O câmbio no Brasil está difícil. Tem subido e isso pode ter reflexo na inflação. O Banco Central não aumentou a taxa de juros, poderia até ter aumentado para poder frear qualquer expectativa de inflação. Mas é um ano eleitoral e as taxas de juro menores incentivam também os investimentos.

OP – Em que medida a instabilidade do dólar é um motor para o mercado imobiliário?

Célio – A instabilidade do dólar não será um motor para nenhum setor da economia. A gente precisa ter algo que possamos definir qual é o preço que eu estou comprando meus insumos. Você também tem que ter uma segurança em relação ao preço que pratica na venda. Se eu vender [um imóvel] por um preço fixo, pode ser depois que eu não consiga reinvestir em novas unidades imobiliárias em termos de custo de reposição. Então, o dólar é sempre uma componente que tem que estar observando nesse sentido.

OP – A crise cambial pode ser um estímulo ao investimento em imóveis?

Célio – Na verdade quando você analisa qualquer tipo de investimento, tem que ter uma cesta diversificada porque há uma incerteza muito grande. Não é só eu calcular o risco. O risco me ajuda a dar proporções. O mercado imobiliário se colocou por muito tempo como reserva de valor. A ideia de reserva de valor está ligada à lógica de metais preciosos, como o ouro. Avalio também que a gente está tendo uma evolução tecnológica. Você tem novas formas de fazer vendas no mercado imobiliário, as plataformas virtuais e tudo, o que coloca outro tipo de velocidade de vendas para aquele que tiver melhor organizado para esse novo momento da indústria.

OP – Sudene perdeu protagonismo?

Célio – Perdeu. O Banco do Nordeste é que tem assumido esse papel.

OP- Esse é o papel de um banco?

Célio – O banco deveria seguir as políticas públicas, seguir essa ideia, mas o Banco do Nordeste [do Brasil] tem feito um grande papel nesse sentido. A gente tem visto até esse último ano, por exemplo, os empréstimos que têm sido colocados, os financiamentos numa velocidade muito importante com taxas de juros para nossa região muito atrativas. Então, tudo isso ajuda no desenvolvimento da região. Agora, a visão de longo prazo ajuda demais a que nós tenhamos no futuro uma sociedade com menos precariedade.

OP – Como o planejamento consegue se transformar em ações de governo?

Célio – Os nossos marcos regulatórios são tidos pelo Banco Mundial como os piores do mundo, então isso afeta o ambiente de negócio. São vários os elementos institucionais que estão por dentro de um melhor ambiente de negócios. O melhor ambiente de negócios traz um investimento que vai trazer geração de emprego e renda. Ela não é assim tão automática. A mão de obra tem que estar preparada, porque senão esses investimentos vão chegar e nós vamos ter aqui, sem nada contra isso, coreanos, italianos, holandeses, até para poderem ocupar esses espaços do mercado de trabalho. Então nós temos que correr atrás desse capital humano com grande qualificação. Eu acho que esse é o grande desafio que vem por aí.

O Ceará tem jazidas de urânio com fosfato que ainda não foram exploradas na sua forma”

OP- Como as empresas brasileiras podem viver uma nova era em um país que, depois das eleições, talvez tenha um novo rumo? Como essas empresas brasileiras, especialmente as cearenses, também podem ocupar espaços num mundo que é global?

Célio – As nossas precariedades e as faltas de saneamento, habitação, uma porção de coisas que nós temos são ativos e deveriam ser passivos. A gente está transformando o nosso sol que era castigante, aquele que mesmo que tira nossa água na evaporação, como uma fonte de energia inesgotável que é a fotovoltaica. Então, isso cria oportunidade. O nosso vento que de alguma forma também não deixava algumas lavouras, alguns pontos, está virando granja. O Ceará é muito mais do que isso. O Ceará tem jazidas de urânio com fosfato que ainda não foram exploradas na sua forma. É ter a energia nuclear a favor dos problemas de oncologia, de câncer, de tudo. Temos que passar esse processo para entender que isso é importante para o mundo inteiro, não é só para o Ceará ou para o Brasil. Então, explorar mais esse tipo de coisa. Nossa outra vantagem, a condição de estar no saliente nordestino para que agora a Universidade Federal. Nós temos que ter, como tem sido feito, uma boa educação, uma melhoria muito mais forte, de ponta, de estado da arte, no que nós estamos dizendo. Não podemos ter guetos de inteligência, de grupos de interesse.

OP- Segundo o Sinduscon, há 8.500 apartamentos em estoque. O senhor citou um déficit habitacional de 80 mil unidades. Isto se deve a quê?

Célio – Eu acho que é uma questão de segmentação. Quer dizer, você tem realmente uma péssima distribuição de renda. Nós temos que diminuir esses hiatos. Eu estou numa classe média versus uma classe que ela está numa situação mais perto da linha da pobreza. Então, nós temos que consertar isso de alguma forma, mas tem que ser com muito conhecimento. Eu acho que, como coloca sempre o Cláudio Ferreira Lima, estamos na sociedade do conhecimento. Temos que criar a economia do conhecimento. Temos que fazer isso. Ele toda vida foi adepto dessa discussão que chega nas nossas universidades com força e que chega na competitividade global através das visões que nós temos na pesquisa na inovação que são importantes. O mercado, e eu sou um economista de mercado, não um economista claro da coisa acadêmica, vejo isso com excelentes olhos. No momento em que você cria e amplia as fronteiras dessa forma, o Ceará tem outras possibilidades e a gente consegue, aí sim, diminuir os hiatos e melhorar a qualidade de vida de todo o povo cearense.

OP – O cenário acaba por favorecer os fundos imobiliários?

Célio – Os fundos imobiliários são um percentual dos aluguéis principalmente. São um percentual do valor do imóvel. Aí, o fundo passa a ser competitivo, porque ele estava rendendo 7, 8% e a taxa de juros estava 14%. Se a taxa cai para 6,5%, o fundo começa a oferecer uma rentabilidade melhor. É até uma coisa bastante simples, a vacância. O shopping com 80% agora melhorou para 100% e eu consigo um bom aluguel, um aluguel de meio%u2026 Eu estou empatando com a taxa de juros.

DÉFICIT 

O dado de 8.500 apartamentos em estoque foi dado por André Montenegro, presidente do Sindicato das Construtoras (Sinduscon-CE), por telefone, no ínicio do programa. Ele pondera que a previsão é de que todas as unidades sejam vendidas ainda este ano. André comenta que vendas de lançamentos também podem ocorrer até o final de 2018.

TRINDADE DOS INVESTIMENTOS  

Três questões em torno de investimentos, com gancho em discussões na área do turismo, foram apresentado pelo advogado Rômulo Alexandre durante a segunda entrevista do programa, por telefone. %u201CÉ importante assegurar recursos para as gerações futuras e ter segurança jurídica. O outro ponto é o interesse social%u201D, defende.

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